Demorei um tempo para pensar no que
escrever. O blog foi criado e ficou lá... vazio, aguardando o momento de alguma
postagem, obviamente minha, que desse razão à sua existência. Razão essa que é
o nosso casamento. Queria contar um pouco de nós dois, mas não muito, porque não
é possível escrever o que sinto com a mesma intensidade e pureza, não importa o
quanto eu tente.
Depois de ler “A culpa é das
estrelas”, uma história fantástica de John Green, percebi que o livro foi a
inspiração para colocar os dedos em ação e finalmente dar vida ao nosso blog.
Então me lembrei da primeira vez que
o vi, impressionada com o tamanho dele, sabendo que era o meu novo chefe,
embarcando no meu mundinho que se resumia à tripulação do Maersk Salalah e meus
emails sempre um dia atrasados. Mal sabia eu que, nesse embarque literal, ele
estaria embarcando para sempre na minha vida. E eu achei o meu novo chefe tão
bonito... Mas era chefe. E eu estava ali para trabalhar e aprender. Não era
tempo para o coração achar ninguém.
Mas o destino sempre dá seu jeito. E
deu. Ele fazia (e ainda faz) um café maravilhoso, no horário que eu tinha mais
sono: na hora estudar. Então eu ia tomar o café dele, conversávamos, ele me
ensinava alguma coisa do passadiço, depois começamos a falar de nós mesmos e
assim o tempo foi passando... Fomos nos apaixonando aos poucos (aos nossos
olhos). No entanto a relatividade do tempo impera nos navios e devido ao
excesso de convivência, pouco tempo se torna extenso o suficiente para amar
alguém. E nesse pouco tempo eu percebi que não saberia viver longe daquele
sorriso, que os olhos dele tinham roubado um pedaço de dentro de mim quando
olhavam nos meus olhos. E eu poderia falar horas (páginas) sobre isso, mas como
todas as histórias de amor de verdade, ela vai morrer com a gente, como deve
ser.
Todos os que me conhecem bem sabem
que a maior prova de amor que eu poderia dar a uma pessoa (em se tratando de
amor romântico), seria casar. Eu, independente e livre demais sempre dizendo: “O
casamento é uma instituição falida”. Baseada, talvez, em relacionamentos
passados que deixaram cicatrizes (e ensinamentos) e no medo da palavra “sempre”.
Mas chegou o momento que eu encontrei o namorado perfeito e, para não perder o
namorado perfeito, eu aceitei casar. Afinal, se ele é mesmo o namorado perfeito
(como continua sendo), será o meu marido perfeito. Então é melhor que vire
oficial.
E cá estamos, preparando um blog,
uma festa, convites e mimos para que todos os nossos amigos e familiares
compartilhem conosco esse momento especial. O dia que escolhemos para
transformar as nossas vidas solitárias em vidas conjuntas. Não uma vida só, mas
duas vidas com o mesmo objetivo. Porque “sonho que se sonha só, é só um sonho
que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade”.
Mariah Kurtinaitis